A reforma tributária na importação não é um evento futuro, uma nota de rodapé em algum Diário Oficial de 2026.
Pense nela, caro gestor, como aquela rachadura discreta na parede da sua empresa. Você a ignora por um tempo, depois finge que não é nada demais, até o dia em que a parede inteira vem abaixo.
A contagem regressiva para a reengenharia do seu negócio já começou, e o epicentro do tremor tem nome e sobrenome: desembaraço aduaneiro.
Ignorar este momento é o equivalente empresarial de ver a maré recuar drasticamente e continuar de costas para o oceano.
O que antes era um labirinto fiscal, com suas siglas diabólicas (PIS, COFINS, IPI, ICMS), está sendo demolido.
No lugar, surge um terreno novo, supostamente mais plano, chamado IVA Dual (IBS e CBS). A promessa é de simplicidade.
A realidade, como sempre, é um pouco mais traiçoeira, especialmente para quem vive de trazer o mundo para dentro do Brasil.
A grande questão da reforma tributária na importação é como sua empresa vai atravessar essa obra sem ser soterrada pelos escombros.
O epicentro do tremor: o que muda no desembaraço aduaneiro
Para uma importadora, o momento da nacionalização da mercadoria sempre foi o clímax da operação, uma mistura de burocracia, custos e fé.
Com a reforma tributária na importação, esse momento se torna ainda mais dramático para o seu fluxo de caixa. A mudança mais brutal está na base de cálculo dos novos impostos.
Antes, o PIS e a COFINS-Importação incidiam sobre o valor aduaneiro. Era uma conta, digamos, direta.
Agora, a base para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) será obesa, pantagruélica.
Ela incluirá o valor aduaneiro, o Imposto de Importação (II) e até o novo Imposto Seletivo (o “imposto do pecado”, se você importar algo divertido como bebidas ou supérfluo como veículos).
Na prática, o governo vai beber da sua fonte de capital de giro muito antes de você.
Essa nova matemática pressiona o caixa de maneira violenta. Embora os novos impostos pagos na entrada (IBS/CBS) gerem crédito para as etapas seguintes, o desembolso inicial será significativamente maior.
É o paradoxo do crédito: a neutralidade tributária prometida no papel se choca com a realidade de um boleto muito mais caro para liberar sua mercadoria.
Antes e depois da reforma tributária na importação: um exemplo prático (e doloroso)
Vamos abandonar a abstração e falar de dinheiro. Imagine a nacionalização de um produto hipotético cujo valor aduaneiro é de R$ 100,00.
Considere um Imposto de Importação de 10% e uma alíquota combinada de IBS/CBS de 26,5% (uma estimativa conservadora).
- No sistema atual: Sobre os R$ 100,00, você pagaria R$ 10,00 de II e, na sequência, R$ 9,25 de PIS/COFINS (alíquota de 9,25% sobre o valor aduaneiro). Total de impostos na entrada: R$ 19,25.
- No novo sistema: Você pagará os mesmos R$ 10,00 de II. Contudo, a base de cálculo para o IBS/CBS será a soma do valor aduaneiro e do II (R$ 110,00). Aplicando os 26,5% sobre essa nova base, o desembolso com os novos tributos será de R$ 29,15. Total de impostos na entrada: R$ 39,15.
A diferença é de mais de 100% no valor a ser pago no ato. Sim, os R$ 29,15 se tornarão crédito. Mas entre o “pagar agora” e o “compensar depois” existe um vale chamado capital de giro.
Para nacionalizar o mesmo contêiner, sua empresa precisará de o dobro de dinheiro em caixa. Esta é a face mais imediata da reforma tributária na importação.
Os benefícios no horizonte
Apesar do soco no estômago do fluxo de caixa, a reforma traz promessas que, se cumpridas, podem nivelar um campo de jogo historicamente tortuoso.
- Isonomia com o produto nacional: O importado pagará a mesma carga tributária do similar brasileiro, acabando com distorções e teoricamente criando uma competição mais justa.
- Reforço do drawback: O regime que suspende tributos na importação de insumos para produtos de exportação será mantido e fortalecido, o que é uma excelente notícia para a cadeia exportadora.
Riscos e desafios da nova reforma tributária na importação
O otimismo, contudo, deve ser pragmático. Os riscos são imediatos e exigem atenção cirúrgica.
- Aumento do custo de nacionalização: Como vimos no exemplo, a necessidade de capital de giro dispara. Sem um planejamento financeiro robusto, a operação pode simplesmente parar.
- Precificação e repasse: Com um custo de entrada maior, sua política de preços terá que ser inteiramente revista. Como e quando repassar esse custo para seu cliente B2B sem perder competitividade?
- O fim da guerra fiscal: Se sua operação logística foi construída para aproveitar benefícios de ICMS em estados como Santa Catarina ou Espírito Santo, saiba que essa era acabou. A vantagem competitiva que sustentava suas margens vai evaporar. A geografia brasileira deixará de ser tributária para ser, vejam só que ideia, logística.
Estratégias de mitigação: o que fazer para não ser a estatística
Ficar parado esperando a transição passar é uma sentença de fracasso. A ação precisa ser imediata.
- Planejamento de caixa: Seu caixa, antes um rio, precisará virar uma represa. Modele os impactos da nova reforma tributária na importação, renegocie prazos com fornecedores e busque linhas de crédito específicas para o desembaraço.
- Revisão de contratos: Contratos de longo prazo, com fornecedores e clientes, devem ser revistos com urgência. Cláusulas que mencionam ICMS ou PIS/COFINS são bombas-relógio jurídicas.
- Gestão de fornecedores internacionais: Negociar melhores condições de pagamento (Incoterms) com seus fornecedores no exterior pode ser a diferença entre ter ou não caixa para nacionalizar a carga.
Perguntas que não querem calar (e que o seu contador deveria saber responder)
Importar ficará inviável para pequenas empresas com a reforma tributária na importação? Não inviável, mas darwinista. Apenas as mais organizadas financeiramente e estrategicamente ágeis sobreviverão. O acesso a capital de giro será o grande divisor.
A promessa dessa reforma é que os créditos do IBS/CBS serão compensados rapidamente. Isso é confiável? A promessa é que sim, com mecanismos de devolução em até 60 dias.
Mas, no Brasil, entre a promessa da lei e o dinheiro no extrato bancário, costuma haver um longo caminho de portarias e sistemas instáveis. Ceticismo e planejamento são recomendáveis.
O futuro não é para amadores. E a sua estratégia começa agora.
Chegamos ao ponto crucial. A reforma tributária na importação não é um mero ajuste de alíquotas. É a refundação das regras do jogo.
A inércia é, hoje, o seu maior passivo. Donos e gestores de importadoras que não redesenharem suas estratégias financeiras, logísticas e comerciais desde já correm o risco existencial de se tornarem relíquias de um sistema que não existe mais.
É aqui que a conversa muda de tom.
Na Contábil Rossi, não vendemos planilhas nem recitamos o Diário Oficial. Nós traduzimos o caos.
Somos os sherpas que guiam sua empresa pela cordilheira traiçoeira da transição tributária. Enquanto outros decifram a lei, nós desenhamos o mapa de guerra para a sua operação.
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A conversa é o primeiro passo. O resto é estratégia.
